Em 1954, Lucian Freud pintou „Hotel Bedroom”: a mulher deitada na cama, ele de pé, na sombra, junto à janela. Aqui está a mesma cena setenta anos depois, numa casa de banho. Uma figura jaz debruçada sobre a borda da banheira e segura, com dedos compridos como massa, um telemóvel cujo ecrã é a única luz fria. A outra está de pé, atrás, pálida, com cabeça de ave, como a aparição do título. Grzybacz mais tira a tinta com uma esponja do que a aplica. Quem é aqui o fantasma: quem está de pé ou quem olha para o ecrã?
O pintor
Krzysztof Grzybacz (n. 1993) concluiu com distinção a Academia de Belas-Artes de Cracóvia. Pinta flores, as pessoas que lhe são próximas e interiores silenciosos, e o verdadeiro tema, por baixo, é quase sempre a intimidade e o modo como a comunicação se perde e falha. Expôs no X Museum em Pequim, na Harkawik em Nova Iorque e na Dawid Radziszewski Gallery em Varsóvia, e em 2026 terá uma exposição individual na Pace, em Londres.